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Idosos que voltaram a estudar: Como esse movimento tem crescido no Brasil

Voltar para a sala de aula depois dos 60 anos está deixando de ser algo tão incomum no Brasil.

Cada vez mais pessoas idosas estão retomando os estudos, fazendo cursos e até buscando uma vaga na universidade.

Algumas querem realizar um sonho que precisou ser abandonado na juventude. Outras procuram novos conhecimentos, mais independência ou simplesmente uma atividade que mantenha a mente ativa.

E os números mostram que esse movimento realmente está acontecendo.

Cresceu o número de idosos interessados em estudar

Um exemplo interessante aparece no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Em 2022, o exame teve 5.900 inscrições confirmadas de pessoas com 60 anos ou mais. Em 2025, esse número chegou a 17.192.

Isso representa um crescimento de 191% em apenas três anos.

O aumento mostra que existe uma parcela da população idosa interessada não apenas em estudar, mas também em buscar novas oportunidades educacionais.

Idosos também estão chegando às universidades

A presença desse público não fica restrita à educação básica.

Dados do Censo da Educação Superior mostraram que, em 2023, existiam mais de 60 mil matrículas de estudantes com 60 anos ou mais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica no Brasil.

Quase metade deles havia ingressado naquele mesmo ano.

Ou seja, começar uma faculdade depois dos 60 anos já faz parte da realidade de milhares de brasileiros.

Por que tantos idosos estão voltando a estudar?

Os motivos são diferentes para cada pessoa.

Muitos brasileiros precisaram abandonar a escola ainda jovens para trabalhar e ajudar suas famílias.

Décadas depois, com os filhos adultos e uma rotina diferente, surge a oportunidade de realizar aquele antigo desejo.

Outros já concluíram os estudos, mas querem aprender coisas novas.

Entre as principais motivações podem estar:

  • Realizar o sonho de concluir os estudos;
  • Entrar em uma faculdade;
  • Aprender a utilizar novas tecnologias;
  • Conhecer novas pessoas;
  • Manter uma rotina ativa;
  • Adquirir novos conhecimentos;
  • Buscar uma nova atividade profissional.

Para algumas pessoas, voltar a estudar representa até mesmo o começo de uma nova fase da vida.

A EJA é uma das portas de entrada

Quem não conseguiu terminar o ensino fundamental ou médio pode procurar a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Essa modalidade foi criada justamente para pessoas que não concluíram a educação básica na idade considerada regular.

Apesar do nome falar em jovens e adultos, pessoas idosas também podem estudar pela EJA.

Existem turmas oferecidas pelas redes públicas de ensino em diferentes regiões do Brasil.

Algumas universidades estão criando oportunidades para idosos

Outro movimento interessante está acontecendo dentro das universidades.

Existem instituições que desenvolvem projetos e programas voltados especificamente para pessoas com mais de 60 anos.

Em 2026, por exemplo, a Universidade de Brasília abriu um processo seletivo específico para pessoas idosas, oferecendo 216 vagas em cursos de graduação.

Também existem as chamadas Universidades Abertas à Terceira Idade ou à Pessoa Idosa.

Esses projetos podem oferecer cursos, oficinas, atividades culturais e oportunidades de convivência dentro do ambiente universitário.

Tecnologia também entrou na sala de aula

Voltar a estudar atualmente também significa ter mais contato com a tecnologia.

Celulares, computadores e internet estão presentes em muitas atividades educacionais.

Isso pode parecer difícil no começo para quem passou grande parte da vida sem utilizar essas ferramentas.

Porém, o uso da internet entre pessoas idosas também está crescendo rapidamente no Brasil.

Com prática e orientação, muitos conseguem aprender a utilizar aplicativos, pesquisar informações, assistir a aulas e realizar atividades online.

Existe idade máxima para voltar a estudar?

Não.

Uma pessoa pode voltar a estudar aos 60, 70, 80 anos ou mais.

Não existe uma idade em que alguém seja considerado velho demais para aprender.

É possível concluir a educação básica, fazer cursos livres, aprender informática, estudar um idioma e até ingressar em uma faculdade.

O caminho dependerá do objetivo de cada pessoa.

Como um idoso pode voltar a estudar?

Quem deseja concluir o ensino fundamental ou médio pode procurar uma escola pública e perguntar sobre a oferta da EJA.

Também é possível buscar informações na Secretaria de Educação do município ou do estado.

Já quem terminou o ensino médio e deseja fazer uma faculdade pode pesquisar universidades públicas e privadas, além de verificar formas de ingresso disponíveis.

Outra opção são os programas específicos para a terceira idade oferecidos por algumas universidades.

Voltar a estudar vai além do diploma

Para muitos idosos, o principal benefício não está apenas em conseguir um certificado.

A sala de aula também proporciona convivência.

A pessoa conhece novos colegas, participa de atividades, cria uma rotina e entra em contato com ideias diferentes.

Também pode descobrir habilidades que nunca teve oportunidade de desenvolver anteriormente.

Por isso, estudar depois dos 60 anos pode representar muito mais do que simplesmente voltar para a escola.

Nunca é tarde para aprender

Durante muito tempo existiu a ideia de que estudar era algo reservado às pessoas mais jovens.

A realidade está mostrando algo diferente.

O aumento da presença de pessoas com mais de 60 anos no Enem, nas escolas e nas universidades mostra que a educação pode continuar fazendo parte da vida em qualquer idade.

Para quem precisou abandonar os estudos no passado, voltar para a sala de aula pode significar finalmente concluir um sonho que ficou esperando durante décadas.

E para quem já estudou, pode ser simplesmente uma oportunidade de descobrir algo novo.

Afinal, envelhecer não significa deixar de aprender.